• Gláucio Bezerra Brandão

[AC 004] Criando inovação por meio do pensamento por princípios

Atualizado: Mai 20

Criando inovação através do pensamento por princípios.

(AC publicada em 15Ago18)


Muitas vezes nos perguntamos, como esses astros da inovação criam as coisas? Será que, além de possuir uma imaginação surpreendente para construir o futuro, essas pessoas têm de ser made in USA? A resposta pode ser mais simples do que pensamos, a partir do momento que começamos a analisar o que há de comum entre os e as Jobs, Withman, Gates, Rometty, Dell, Bezos, Sandberg, Zuckerberg etc. E, para não dizer que sou eu quem descobriu isso - apenas observei, claro - vou utilizar uma das estrelas desta Via Láctea da inovação: o intrigante Elon Musk, o homem do Paypal, dos carros elétricos, da viagem ao planeta Marte, do NEURALINK - a conexão cérebro-máquina, e de mais uma dúzia de ideias pra lá de chocantes. Segundo Musk, que utiliza a metodologia de redução aos princípios como método de pensamento inovador, o qual foi popularizado em seu vídeo The First Principles Method by Elon Musk, retiramos a ideia principal: “reduzir as coisas a suas verdades fundamentais, ou princípios, e raciocinar a partir daí, em oposição ao raciocínio por analogia”. E, quando fazemos isto, tiramos aquela venda dos olhos, e deixamos de seguir o que está estabelecido simplesmente porque está estabelecido! Fazendo isto, reduzimos o escopo de qualquer situação problema-solução às suas características basilares, o que faz com que cheguemos àquela função imprescindível, àquela função que não pode deixar de existir em uma solução, em uma inovação, a qual chamamos de MUF - Main Useful Function, ou em tradução literal função útil principal executada pela solução. Ou, como diria Sherlock Holmes: “Uma vez eliminado o impossível, o que restar, não importa o quão improvável, deve ser a verdade...”.


A ideia por trás de abandonar o pensamento por analogia é a de encontrar o mais rápido e eficiente caminho no qual as coisas são baseadas, e tentar evitar os vieses, as inércias psicológicas, as quais nos farão chegar ao mesmo ponto que outros o fizeram antes de nós, nos colocando, no caso de startups, para disputar os mesmos Mercados que outros o fazem muito bem, tornando nossa disputa um Oceano Vermelho .


Assim, a sugestão de Musk para se obter inovação podem ser resumidos nos seguintes passos:

  1. Identifique e defina suas suposições atuais. [P1]

  2. Coloque o problema em seus princípios fundamentais. [P2]

  3. Crie novas soluções a partir do zero. [P3]

Como exemplo, elenquemos as MUF (principais funções) que definem um automóvel. Nossas suposições atuais, [P1], são de que é um elemento pesado, que consome algum tipo de combustível, transporta um número determinado de pessoas, possui pneumáticos, transporta uma pessoa na maior parte do tempo e que, em muitas cidades, está difícil de estacionar. Colocando o automóvel em termo de suas MUF, [P2], o automóvel pode ser definido como um tipo de invólucro, no qual você entra, desloca-se horizontalmente seguindo trilhas pré-definidas e leva você do ponto A ao ponto B. Agora, delineando as funções básicas, podemos agora reinventar o automóvel, de modo a inovar. Assim, criando novas soluções, [P3], pode-se observar que este invólucro não precisa utilizar combustível fóssil, não precisa ser estacionado, não precisa ter motorista, pode ser compartilhado, pode voltar para a casa sozinho seguindo trilhas, e, finalmente, não precisará ser seu! Então pergunto: como está o seu conceito de automóvel agora? Foi isso que a Tesla e o Google fizeram, e em breve, não necessitaremos mais de carteira de habilitação.


Inovação x Qualidade. A duas formas de pensar tem seus prós e contras. A inovação, aquela necessária para manter uma empresa competitiva, apesar de que deve ser sempre perseguida, é de alto risco. Pode ser implementada desde que se tenha uma arcabouço para isso, pois os ciclos de lançamento de um novo produto, Infância, Crescimento, Maturidade e Morte, consomem recursos diversos, principalmente na infância, em que os investimentos superam os retornos de capital. Nessa fase, a empresa deve abandonar todo aquele pensamento por analogia, necessário para as fases posteriores, e concentrar-se apenas nas rupturas. Por isto o balancete fica no vermelho, pois nesta fase o grau de experimentação é maior do que o grau de definição, o que sugere o descarte de muitos protótipos. À medida em que os protótipos ganham maior refino e chegam a serem apelidados de MVP (Minimum Viable Product), o pensamento por analogia, aquele mesmo, cheio de regras e protocolos, deve assumir o manche. Nesse momento, entra o que chamamos de momento da qualidade. Esta postura deve ser mantida até que a morte os separe, a qual é a última fase desse processo. Assim, se os pensamentos não forem bem sincronizados, a qualidade se transforma em uma camisa de força para a inovação, e esta o caos para a qualidade.



Apesar de partirmos do pensamento por princípios para criar coisas novas, deve-se levantar a bandeira em prol do pensamento por analogia, pois foi ele que nos trouxe até aqui, que nos fez não provar daquele veneno, visto que quem o fez não se deu bem. Pura verdade! Os dois tipos de pensamento se complementam. O pensamento por analogia pode ser visto como a História, que pode ser considerada uma espécie de Ciência Congelada, aquela que devemos consultar sempre que as dúvidas aparecerem, de modo a não cometermos os mesmos erros; só novos. Defendendo então este pensamento, pode-se também observar no que os outros erraram e, em cima destes erros, trabalhar o pensamento por princípios, criando caminhos alternativos que podem nos levar aonde não chegamos ainda. A grande questão é a dosagem de um e do outro. Neste espaço surge o empreendedor inovador, responsável por balizar os caminhos de sua startup, para o Oceano Azul ou para o Vermelho, ou mesmo para a morte… Da startup, é claro.

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